Sábado, Fevereiro 18
Quarta-feira, Janeiro 18
Sábado, Outubro 22
Quarta-feira, Setembro 28
Quarta-feira, Agosto 31
Terça-feira, Agosto 9
Quinta-feira, Julho 28
Na minha cama
Quando estava em casa, pareceu-me uma boa ideia, óptima, até. Fui-me calçar e pentear e questionei-me se não era mais uma loucura minha, mas pus a mala ao ombro e chamei o elevador.
Enquanto descia os dois quarteirões até ao teu apartamento, a certeza de que ia resultar ia-se esmorecendo. Ia treinando o meu discurso: "Ouve, eu sei que fiz merda", "Sinceramente, não sei o que dizer", ...; mas tudo me parecia insípido, ou sem forma, ou sem conteúdo. Desisti quando pus o pé na primeira de três escadas que dão para a entrada do prédio.
Estranhamente, a porta estava aberta. Subi os dois lances de escadas até ao teu piso para adiar o meu suicídio (por isso e porque o teu prédio não tem elevador). Inspirei fundo e toquei à campainha. Uma rapariga bonita e ruiva abriu a porta - senti uma bola na garganta.
- Olá! Posso ajudar-te? - disse. Tinha uma voz simpática e afável, não consegui não gostar dela.
- Olá! Posso ajudar-te? - disse. Tinha uma voz simpática e afável, não consegui não gostar dela.
- Sim. O Guilherme está?
- Não, desculpa. Queres deixar algum recado?
- Deixa.
E desci as escadas o mais rápido que pude. Nem tive tempo de pensar "quem é esta e o que é que ela faz na casa dele?", com a pressa de lá sair- o local do meu suicídio. Estava tão inebriada pela situação, que acabei por chocar com uma pessoa e as garrafas que ela trazia num saco caíram e partiram-se. O som dos vidros acordou-me:
E desci as escadas o mais rápido que pude. Nem tive tempo de pensar "quem é esta e o que é que ela faz na casa dele?", com a pressa de lá sair- o local do meu suicídio. Estava tão inebriada pela situação, que acabei por chocar com uma pessoa e as garrafas que ela trazia num saco caíram e partiram-se. O som dos vidros acordou-me:
- Peço imensas desculpas! - e ao levantar a cabeça, vejo-o à minha frente. Sério, impenetrável. "Boa, tens um jeito natural para reconciliações", pensei - Desculpa.
- O que é que 'tás aqui a fazer?
- Vim contar os azulejos da tua entrada....
- Deixa-te de piadas.
- Vim ver de ti.
- Porque...
- ... Sinto a tua falta. Eu sei que lixei as coisas.
- À grande.
-Sim.
Sentia o cheiro do vinho das garrafas impregnado nos meus ténis verdes.
- Estava uma rapariga em tua casa.
- Sim, a Inês.
- Pois, é possível. - disse. Tinha cara de Inês.
- É minha prima.
- Ah. - disse. "Então isto é que é o alívio?", passou pela minha cabeça.
- Ah. - disse. "Então isto é que é o alívio?", passou pela minha cabeça.
Olhou-me nos olhos e passado uns segundos baixei a cabeça.
- Ouve...
Fui interrompida. Ele aproximou-se e deu-me a mão.
- Anda.
E fomos embora.
Deixámos a porta aberta e o saco com os vidros e o vinho ficou lá, na entrada, abandonado.
Domingo, Junho 12
Segunda-feira, Maio 16
Quarta-feira, Abril 27
Terça-feira, Abril 26
Sexta-feira, Abril 22
Quarta-feira, Abril 13
Auto-retrato de Frida Kahlo
Vejo-te a passar, acariciando as pedras da calçada com a sola das sandálias rasas. Expeles sorrisos aos vagabundos, às crianças, aos velhos. Vais seduzindo: passando e seduzindo; e eu inerte: a ver-te passar e a ser seduzido.
Quanto mais te aproximas de mim, vais-te tornando cada vez menos deusa e cada vez mais acessível. Quando chegas perto de mim, estás suficientemente humana para poder falar contigo.
E agora? Atiro um desgraçado e tímido "olá" e nesse momento parece que toda a tua sinceridade e fraqueza fogem. Olhas para mim, cortas-me em dois e empurras-me para o canto, junto do entulho.
Mas, com uma precipitação rápida, chegas perto do lixo onde me atiraste, lascivamente pegas-me ao colo e acarinhas-me. Queria dizer-te não, que não quero o teu toque nem o cheiro tão fresco e leve impregnado na minha roupa. Mas quem quero eu enganar? Quero tanto, tanto, esse cheiro impregnado em mim. Tão impregnado que nunca me abandonaria.
Passam uns momentos e já estás outra vez a mandar-me embora. Empurras-me e começas a dançar na rua, a balouçar os teus braços no ar com os olhos fechados.
E eu, já cheio com este fartote de frieza, viro-te as costas e vou-me embora. Deixo-te sozinha, a ti e à tua luxúria.
Quanto mais te aproximas de mim, vais-te tornando cada vez menos deusa e cada vez mais acessível. Quando chegas perto de mim, estás suficientemente humana para poder falar contigo.
E agora? Atiro um desgraçado e tímido "olá" e nesse momento parece que toda a tua sinceridade e fraqueza fogem. Olhas para mim, cortas-me em dois e empurras-me para o canto, junto do entulho.
Mas, com uma precipitação rápida, chegas perto do lixo onde me atiraste, lascivamente pegas-me ao colo e acarinhas-me. Queria dizer-te não, que não quero o teu toque nem o cheiro tão fresco e leve impregnado na minha roupa. Mas quem quero eu enganar? Quero tanto, tanto, esse cheiro impregnado em mim. Tão impregnado que nunca me abandonaria.
Passam uns momentos e já estás outra vez a mandar-me embora. Empurras-me e começas a dançar na rua, a balouçar os teus braços no ar com os olhos fechados.
E eu, já cheio com este fartote de frieza, viro-te as costas e vou-me embora. Deixo-te sozinha, a ti e à tua luxúria.
Vou descendo a rua. É aí que ouço soluços e um choro desalmado. Como podia eu deixar-te erma, só, despovoada? Como podia eu deixar a tua alma sem ninguém para afagar as suas rachas? O teu coração de vidro acabado... não podia fazê-lo.
Ficamos os dois juntos, minha querida. Eu: um pobre sem amor-próprio; e tu: cega com amor-próprio.
Domingo, Março 27
Segunda-feira, Março 21
Sábado, Março 19
Sexta-feira, Março 18
Domingo, Março 13
Subscrever:
Mensagens (Atom)




